As exportações de Portugal para a Rússia, apesar das sanções da União Europeia (UE), aumentaram em 2017 cerca de 23%, enquanto as importações cresceram 30%, em comparação com 2016.

À “Lusa”, o ministro dos Negócios Estrangeiros, disse  que a subida das exportações se deve a um “reajustamento” das mercadorias exportadas, uma vez que as sanções não são aplicadas a todos os sectores económicos.

Augusto Santos Silva, que esteve reunido em Moscovo com o homólogo russo, Serguei Lavrov, frisou, porém, que a balança comercial entre os dois países é “muito desfavorável a Portugal”.

Segundo o ministro português, em 2017, Portugal exportou mercadorias no valor de 180 milhões de euros (“se se contabilizar os serviços rondará os 300 milhões de euros”), enquanto as importações, maioritariamente petróleo, se situaram nos 1 500 milhões de euros.

O valor das exportações de serviços, acrescentou, ainda está por apurar – “deverá estar contabilizada nos próximos dias” -, sabendo-se de antemão que, em 2016, esse montante rondou os 107 milhões de euros.

Questionado pela “Lusa” sobre se está aberto o caminho para um maior equilíbrio na balança comercial, Santos Silva lembrou que tudo dependerá, por um lado, do fim da aplicação das sanções europeias e, por outro, da diversificação das exportações para a Rússia.

“A razão principal da quebra das exportações que se verificou em 2015 e 2016 foi a aplicação das sanções da UE à Rússia e as contra sanções, as represálias, aprovadas pelos russos. Essas represálias atingiram directamente um dos
principais sectores exportadores portugueses, que é a área agro-alimentar”, afirmou.

Santos Silva deu como exemplo o caso da pera rocha portuguesa que, no último ano antes das sanções, em 2013, atingiu cerca de 260 milhões de euros. “A Rússia era um dos principais mercados de exportação da pera rocha e esse
mercado fechou-se por causa das sanções”, realçou.

“Mas a boa notícia é que no ano passado recuperamos bastante. As sanções não são aplicadas a todas as áreas económicas, houve um reajustamento das exportações portuguesas e elas já cresceram 23%”, insistiu.

“É nestes termos que temos de trabalhar, porque a política de sanções da UE pode ser invertida a qualquer momento – as sanções são medidas temporárias, não são nenhuma fatalidade -, mas isso depende de se verificarem progressos na implementação dos Acordos de Minsk, no processo relativo à Ucrânia. Temos de ir trabalhando no incremento das relações económicas, sabendo que há este quadro político”, explicou.

No encontro com Lavrov, Santos Silva disse ter sido feito um ponto de situação nas relações económicas bilaterais, nomeadamente nos acordos já finalizados – cooperação técnica e económica – e nos que estão em curso – segurança social, tarifas aduaneiras, ensino, educação e cultura.