As exportações portuguesas de mobiliário deverão ultrapassar este ano os 2 000 milhões de euros, e só não crescem mais pela “enorme falta de mão-de-obra”, de acordo com a Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA).

Em entrevista à “Lusa”, antes do arranque da segunda edição anual da feira Maison&Objet, que vai decorrer de 7 a 11 deste mês, em Paris, Gualter Morgado, director executivo da APIMA, indicou que França é o primeiro destino das
exportações portuguesas de mobiliário.

“O mercado francês representa 30% das nossas exportações. Estamos a falar de mais de 600 milhões de euros de exportação num volume total de 2 000 milhões. São dados de finais do ano passado e continuamos a crescer em relação ao ano passado, por isso vamos ultrapassar os 2 000 milhões no final deste ano”, disse.

Gualter Morgado acrescentou que nos últimos seis anos as exportações de mobiliário mais do que duplicaram, e que actualmente é a falta de mão-de-obra a travar um crescimento ainda maior no sector, que emprega cerca de 30 mil pessoas.

“Neste momento a grande dificuldade é que estamos em pleno emprego na indústria em Portugal e estamos com uma enorme falta de mão-de-obra. Precisamos de mão-de-obra especializada e não temos. Ou seja, um dos impedimentos para o crescimento imediato da indústria portuguesa – principalmente destas indústrias
ditas tradicionais como mobiliário, estofos, metalomecânica, calçado, têxtil – tem a ver com a nossa capacidade ou não de absorver mão-de-obra que em Portugal neste momento não existe”, adiantou.

Gualter Morgado referiu, ainda, que “não há mão-de-obra disponível nas regiões onde a indústria está instalada”, porque muitos dos trabalhadores especializados das fábricas que fecharam na altura da crise emigraram e “é muito difícil cativar os jovens para este tipo de indústrias” ainda que se esteja “a tentar tornar a indústria mais sexy e mais atractiva para os jovens”.

Portugal vai estar representado com 89 empresas e marcas na Maison&Objet, uma feira que concentra, a cada edição, 90 mil visitantes e três mil marcas francesas e internacionais, dos sectores do mobiliário, têxteis-lar, decoração, iluminação, acessórios e cozinha.